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A doação de sangue para cães e gatos

Eles também precisam de transfusão de sangue. Veterinários pioneiros tentam convencer seus donos a tornar os bichos doadores regulares

RUAN DE SOUSA GABRIEL E MARCOS CORONATO
16/07/2014 07h00 – Atualizado em 16/07/2014 07h40

SOCORRO Simone Gonçalves, do Hemovet, em São Paulo, e o cão Toddy. Os bancos de sangue para animais viraram uma oportunidade para veterinários (Foto: Camila Fontana/ÉPOCA)

 

Movimento empreenda (Foto: ÉPOCA)

Doar sangue faz parte da rotina de Felipe Massa. Além dos 500 mililitros que doa todo mês, ele também assina uma carta – ainda que não de próprio punho –, em que aconselha o paciente a seguir o tratamento e a ter alimentação adequada para quem passa por uma transfusão. Felipe Massa é um galgo, uma raça de cães corredores. No canil da clínica veterinária Hemopet, no Recife, vivem 20 galgos, todos doadores, batizados em homenagem a corredores de Fórmula 1, como Felipe Massa e Lewis Hamilton, e das pistas, como Jesse Owens.

Primeiro hemocentro veterinário privado do Brasil, o Hemopet abriu as portas em 1999. Antes dele, algumas universidades mantinham bancos de sangue animal, mas o estoque era consumido nos próprios hospitais universitários. A veterinária Rebeca Menelau, fundadora do Hemopet, observou uma oportunidade de expandir o serviço para o setor privado depois que vários cães do Recife foram diagnosticados com uma doença transmitida por carrapatos que, em alguns casos, exige transfusão sanguínea, a erlichiose.

A epidemia não bastaria, se não fosse um cenário favorável. A população de animais de estimação idosos cresce rapidamente, e seus donos se dispõem a gastar mais, a fim de prolongar a vida dos bichos. O serviço, caro e complexo, ainda é pouco difundido nas clínicas veterinárias. Como não há legislação específica, os veterinários são orientados a seguir as rígidas normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para bancos de sangue humano. O desafio, em ambos os casos, é parecido: conseguir doadores e manter o estoque. Para ser doador, o animal tem de ser saudável e atender a outros requisitos (leia o quadro). Antes da coleta, o doador passa por uma bateria de exames.

Transfusão animal (Foto: Fonte: Hemovet/São Paulo)

Transfusões sanguíneas fazem parte do tratamento de diversos problemas, como insuficiência renal, doença do carrapato e verminoses. O cão Toddy, de 9 anos, chegou ao Hemovet, um hemocentro paulistano, com anemia grave, causada por uma hemorragia. Precisou de três transfusões de sangue até melhorar. “A hemorragia foi controlada e a anemia está discreta”,

diz Simone Gonçalves, fundadora do Hemovet e outra veterinária pioneira no segmento. Cada transfusão custa ao menos R$ 300, e cada bolsa de derivados de sangue consumida ao
menos R$ 100.

Lidar com o sangue de gatos é simples para veterinários. Os gatos têm três tipos sanguíneos (A, B e AB) e só podem receber sangue compatível com o seu. Sangue canino é outra história. Há cerca de 13 tipos de sangue canino catalogados até o momento. Numa primeira transfusão, cães podem receber sangue de qualquer doador saudável. A chance de ocorrer uma reação é baixa. A partir da segunda transfusão, o cão só pode receber sangue compatível com o seu. Trata-se de mais um grau de sofisticação, num mercado que atende cerca de 30 milhões de cães e movimenta R$ 15 bilhões, pelos cálculos da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).

 

 

 

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